Eixão faz nova vítima

terça-feira, 27 de dezembro de 2011



Desta vez, uma mulher morreu ao bater de frente na mureta de proteção que fica na Saída Sul; incidente coloca em xeque a necessidade de instalar barreiras ao longo da rodovia expressa; em 2011, oito pessoas perderam a vida na pista
Brasília 247 – Projetado pelo urbanista Lucio Costa para ser uma rodovia expressa que corta toda Brasília em apenas 10 minutos, o Eixo Rodoviário, o Eixão, se tornou cenário de tragédias. A oitava vítima em 2011 é uma mulher de 59 anos, que morreu ao bater de frente na mureta de contenção da Saída Sul, no início da manhã desta segunda-feira (26). Outras duas pessoas que estavam no carro também se feriram. O acidente reacende o debate de se instalar barreiras de contenções ao longo de toda rodovia. Ao mesmo tempo em que servem para proteger que carros desgovernados invadam o sentido contrário, as muretas podem se transformar em obstáculos fatais. Especialistas divergem sobre o risco dessas medidas de proteção.
Era para ser uma manhã com muitos fiscais e policiais ao longo do Eixão. Pelo cronograma divulgado na semana passada pelo grupo de estudos formado para fazer da via uma rodovia mais segura, esta segunda-feira amanheceria com pelo menos oito policiais a mais e carros do Departamento de Estradas de Rodagem nas duas saídas Sul e Norte. Mas antes que as medidas começassem o condutor do Gol verde de placa KCZ 6222 - DF, de 64 anos, perdeu o controle e colidiu contra a mureta. Nenhum outro carro foi atingido. No veículo, um casal e a nora vinham de Riacho Fundo para o Plano Piloto. Feridos, o homem e a jovem estão no Hospital de Base do Distrito Federal, onde recebem cuidados médicos.
O acidente não envolveu outros veículos, diferentemente do que ocorreu há quarenta dias quando uma jovem universitária perdeu o controle do carro na altura da 205 Norte, invadiu o sentido contrário e atingiu um automóvel. Ela morreu e o condutor do outro carro ficou ferido. À época, o Departamento de Estradas de Rodagem chegou a dizer que tiraria da gaveta quatro projetos de muretas, que deveriam ser construídas ao longo da rodovia, para deixá-la mais segura. A atitude acabou repreendida por arquitetas e urbanistas com alegações de que a intervenção urbanística fere o tombamento de Brasília e que a contenção não ajudaria a salvar vidas, mas sim viraria um obstáculo a mais na rodovia.
De certa forma, esse novo acidente no Eixão mostra o risco que uma mureta pode provocar. A mulher não resistiu a forte pancada na contenção (não se sabe ainda se ela usava cinto de segurança). Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Paulo Henrique Paranhos, o acidente desta segunda-feira mostra o que pode acontecer caso seja construído muretas de proteção na pista. “Não tem o menor sentido construir uma barreira de contenção como uma solução para o Eixão”, defende Paranhos, que se reúne semanalmente com o grupo de estudos formado pelo vice-governador Tadeu Filippelli para pensar medidas imediatas para reduzir os perigos do Eixão. “As medidas emergenciais no Eixão começam a surtir efeito, pode-se notar que carros percorrem a rodovia na velocidade permitida, mas alguns acidentes não podem ser impedidos.”
Professor de engenharia de trânsito da Universidade de Brasília, Artur Morais explica que jamais uma rodovia será 100% segura. “Algumas medidas conseguem prevenir, mas nunca eliminar acidentes”, defende. “As soluções são pensadas para que a severidade desses acidentes sejam reduzidas”, completa. Para Artur Morais, apesar do acidente desta manhã ter ocorrido contra uma barreira de contenção, não se pode, a princípio, descartar a necessidade de se instalar barreiras menores ao longo da rodovia. Morais argumenta que essa medida deve ser estudada com cautela, assim como a redução de velocidade e o aumento na fiscalização. “Cerca de 50% dos acidentes estão relacionados à velocidade e, por isso, deve-se aumentar a fiscalização para reprimir que motoristas corram.”
Na semana passada, o vice-governador Tadeu Filippelli anunciou um cronograma de ações que devem ser colocadas em prática para evitar mortes na via. As medidas começavam com a fiscalização ostensiva, a limpeza e a iluminação das passagens subterrâneas para incentivar o pedestre a atravessar a via com segurança. Já nesta segunda-feira (26), a Polícia Militar inicia o trabalho de vigilância ao longo do Eixão. Oito policiais vigiarão a via com motocicletas. A equipe será dividida nas asas Sul e Norte.
O Eixão também será supervisionado por uma central de monitoramento do Departamento de Estradas de Rodagens. Quatro câmeras serão instaladas em locais estratégicos no início e no meio de cada asa. A primeira – que está em fase experimental – está na 206 Norte. Essa câmera não tem a intenção de multar, mas monitorar o tráfego. As outras três serão colocadas até 28 de fevereiro.Fonte Palanque Capital 

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