Governo guarda dinheiro e empobrece a cultura

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
  • Foto: Andressa Anholete / 247 28.07.2011
    Menos da metade dos R$ 7,2 milhões autorizados para investir na área foram executados em 2011; Falta de política pública continua sendo uma barreira entre artistas e gestores

    O ano está chegando ao fim e o caixa da Secretaria de Cultura vai fechar cheio de dinheiro. Menos da metade do orçamento autorizado pelo governo do Distrito Federal foi executado pela pasta. Até a última semana de novembro, a secretaria gastou pouco mais de R$ 3 milhões dos R$ 7,2 milhões liberados pelo GDF para investir em atividades e projetos culturais. As informações, retiradas do sistema de gerenciamento de dados do governo, o Siggo, não incluem gastos com custeio e pessoal.

    A economia financeira não condiz com a realidade do cenário cultural da capital, que clama por investimentos. Nenhuma área escapa: literatura, dança, teatro, cinema, música. Ao longo do segundo semestre de 2011, o Brasília 247 mostrou a situação de alguns pontos turísticos e de instituições de Brasília, tais como o Cine Brasília, o Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, o Centro de Dança Athos Bulcão, a Biblioteca Nacional, entre outros.

    A 44ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília, foi antecipada e ocorreu cerca de um mês antes do habitual, em novembro. A prometida reforma do prédio foi feita parcialmente, e mais uma vez, o eventou causou transtornos ao público. Para 2012, ficou a promessa de construir um anexo e de ampliar os banheiros. Fora o período do festival, o cinema é pouco utilizado pelo brasiliense, que não é atraído pela estrutura oferecida atualmente.

    O Centro de Dança, espaço frequentado por alunos, professores e artistas do mundo todo, também espera por reformas. O lugar não tem refrigeração e o linóleo – espécie de tapete utilizado para dança – está gasto. Enquanto isso cursos, ensaios e aulas ocorrem no improviso. “Não existe política cultural para a dança, as coisas estão funcionando precariamente”, desabada o servidor público João Carlos Corrêa, membro do Fórum de Dança do DF e Entorno e do Fórum Nacional de Dança.

    Segundo Corrêa, não há representação civil nas decisões políticas do governo. “Infelizmente os representantes se fecharam para a realidade cultural que julgam adequada”, afirma. “Os anseios sociais não estão em consonância com o poder”, julga o servidor público.

    O cancelamento da 2ª Bienal Internacional da Poesia decepcionou escritores que aguardam pela oportunidade de mostrar seu trabalho na capital. O GDF alegou que não havia recursos para viabilizar o evento, e o jeito encontrado pelos artistas foi fazer a bienal alternativa, a Do B, com recursos próprios.

    O aniversário de três anos da Biblioteca Nacional de Brasília foi comemorado com shows no Complexo Cultural da República, dinheiro que poderia ter sido investido na aquisição de instrumentos para criar o acervo digital, uma das promessas feitas na inauguração do prédio e que até hoje não foi cumprida. Além disso, o acervo físico de livros existe, mas não está acessível ao público.

    O último dia de 2011 será de festa, ainda que polêmica, na Esplanada dos Ministérios. Depois de anunciar uma programação, a Secretaria de Cultura reformulou o show da virada a pedido do Tribunal de Contas do DF, que encontrou indícios de irregularidades no edital de licitação da festa. O réveillon, que fora suspenso, vai ocorrer de forma mais modesta: R$ 1,8 milhões foram enxugados e o tribunal liberou a festa.

    A Secretaria de Cultura do DF foi procurada pela reportagem, mas não retornou às ligações.

    Por Natalia Emerich



    Fonte: Brasília 247

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