
Numa disputa acirrada, definida voto a voto após uma apuração que invadiu a madrugada, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney venceu o caucus (entenda) de Iowa e saiu na frente na primeira etapa do complexo processo de escolha do adversário presidente Barack Obama nas eleições de 4 de novembro.
Romney venceu com 25% de apoio, apenas oito votos à frente do ex-senador pela Pensilvânia Rick Santorum, a grande surpresa da corrida eleitoral republicana. O deputado pelo Texas Ron Paul apareceu em terceiro, seguido pelo ex-líder na Câmara Newt Gingrich, em queda nas sondagens, o governador do Texas Rick Perry, e a deputada Michele Bachmann, candidata do movimento conservador Tea Party.
Nem mesmo o frio de 1º C da noite desta terça-feira afastou o eleitorado republicano do caucus de Iowa, a primeira etapa do complexo processo de escolha do candidato que enfrentará o presidente Barack Obama nas urnas.
Estima-se que entre 100 mil e 120 mil simpatizantes republicanos tenham deixado suas casas para debater em grupos em 1.774 recintos, como ginásios e escolas, e designar seu candidato preferido através do voto. Em Meadowview, por exemplo, escola localizada nos arredores de Des Moines, o evento atraiu mais de 260 eleitores - 60 a mais que em 200 compareceram.
A ausência de um claro favorito nas pesquisas e a preocupação com o futuro econômico do país atraíram até mesmo quem não costumava votar com os republicanos. Foi o caso do comerciante Tom Hunter, de 47 anos. Em 2008, ele se considerava democrata e votou em Barack Obama. A decepção com o governo levou-o a apostar nos republicanos desta vez.
— Romney é o melhor porque tem mais chances de vencer Obama. E os demais são muito à direita — resumiu.
Iowa é considerado politicamente um estado "púrpura", partilhado entre democratas (azul) e republicanos (vermelho), com uma importante economia agrícola, uma crescente indústria manufatureira e um índice de desemprego de 5,7%, abaixo da média nacional (que está em 8,6%). O índice de população branca é de 91,3%, contra 72,4% para o total do país.
Analistas políticos apontam que o caucus republicano historicamente tende a eleger um candidato mais ao centro. Foi o caso das vitórias de Mike Huckabee (2008), de George W. Bush (2000), de George H. W. Bush (1980) e Gerald Ford (1976, contra Ronald Reagan), que venceram em Iowa pré-candidatos mais conservadores.
Passada a votação em Iowa, os olhos agora se voltam para New Hampshire, que realiza primárias na próxima terça-feira. Mitt Romney tem ampla vantagem e, segundo as projeções, deve vencer sem dificuldades. Além de New Hampshire, janeiro terá mais meia dúzia de debates e eleições primárias em outros dois Estados - Carolina do Sul no dia 21, e Flórida no dia 31.
Dilema eleitoral
Ao mesmo tempo em que marcam a largada na disputa republicana, um processo longo que só termina com a convenção nacional, em agosto, as prévias de Iowa deixam transparecer um partido dividido entre atrair voto conservador e independente.
Acomodado no meio da audiência no Temple of Performing Arts, à espera da chegada de Romney, em uma das últimas aparições do pré-candidato antes da abertura do caucus, David Van Ahn, de 69 anos, representava parte do comportamento do eleitorado do partido no processo.
— Hesito entre Romney, Rick Perry e Newt Gingrich. Se pudesse, fatiaria os três, para pegar o melhor de cada um e formar o candidato ideal. Mas deverei votar em Romney, também por ser o que possui mais chances de derrotar Obama — disse o republicano, fundador da associação Westside Conservative Club.
Impelido à direita pelo movimento radical Tea Party no rastro da derrota no pleito presidencial de 2008, o Partido Republicano vive hoje um dilema eleitoral: sedimentar seu discurso conservador e garantir o apreço dos eleitores da "América profunda" ou pender para o centro, com um candidato de coloração política mais moderada, capaz de conquistar os votos de independentes descontentes com o governo Obama.
Romney: para muitos, o melhor entre imperfeitos
Romney parece ser aos olhos de muitos republicanos o melhor entre os imperfeitos, embora sem conseguir impor com naturalidade suas virtudes. Junto com seus concorrentes — entre ataques recíprocos no último dia de campanha — empunhou algumas das principais bandeiras do partido, edulcoradas por versos patriotas e a exaltação de valores religiosos e morais.
— Esta campanha vai definir o futuro do país. Obama quer envenenar o espírito americano e transformar os EUA num Estado Providência no estilo europeu. Quer tirar de uns para dar a outros e, assim, provocar desavenças. Eu prefiro um país com todos unidos sob Deus e pretendo preservá-lo assim — afirmou ontem.
Em diferentes matizes, os postulantes da oposição a titular da Casa Branca defenderam ao longo dos debates uma redução de impostos para os contribuintes americanos; um Estado menor e menos influente na vida dos cidadãos; uma maior liberdade para o empreendedorismo e os negócios; um corte de gastos do governo e o reequilíbrio do orçamento federal. Também não faltaram críticas à "ganância comercial da China" e à incapacidade de Obama em lidar com a "arrogância do Irã e seu perigoso programa nuclear".
Estratégia de ser contra tudo beneficiaria Obama
Dianne Bystrom, analista política da Universidade de Iowa, vê Romney, Ron Paul e Rick Santorum como os nomes em evidência neste início da corrida republicana.— Acredito que esses três permanecerão na lista até a primária da Carolina do Sul (no dia 21). Michele Bachmann tentará se manter até lá, mas não tem muito dinheiro. E Rick Perry precisará decidir se continuará candidato ou se endossará outro pré-candidato.
O brasileiro Sérgio Loch, professor na Grand View University de Iowa, residente desde 1987 nos EUA, acredita que, independentemente do resultado do caucus no estado, o candidato dos republicanos contra Obama será Mitt Romney:
— Acho que ele obterá a nomeação nacional do partido.
Mas no embate final, apesar das dificuldades econômicas do país, o catarinense aposta na reeleição de Obama.
— Eu nunca vi a situação política tão ruim como está agora. O Partido Republicano bloqueia qualquer medida do governo, é contra tudo, e a população está vendo isso. Além do mais, o partido está muito dividido — opina Loch.
Ele não tem direito ao voto nos EUA, ao contrário de sua mulher, Barbara, americana, e de seus filhos, Erich e Monika, todos registrados no Partido Democrata. A mulher, no entanto, não pretendia participar ontem do caucus democrata.
— Minha esposa vota no caucus republicano só para criar confusão. Ela escolhe o pior candidato do partido — conta o brasileiro, rindo. Informações de O Globo.
Romney venceu com 25% de apoio, apenas oito votos à frente do ex-senador pela Pensilvânia Rick Santorum, a grande surpresa da corrida eleitoral republicana. O deputado pelo Texas Ron Paul apareceu em terceiro, seguido pelo ex-líder na Câmara Newt Gingrich, em queda nas sondagens, o governador do Texas Rick Perry, e a deputada Michele Bachmann, candidata do movimento conservador Tea Party.
Nem mesmo o frio de 1º C da noite desta terça-feira afastou o eleitorado republicano do caucus de Iowa, a primeira etapa do complexo processo de escolha do candidato que enfrentará o presidente Barack Obama nas urnas.
Estima-se que entre 100 mil e 120 mil simpatizantes republicanos tenham deixado suas casas para debater em grupos em 1.774 recintos, como ginásios e escolas, e designar seu candidato preferido através do voto. Em Meadowview, por exemplo, escola localizada nos arredores de Des Moines, o evento atraiu mais de 260 eleitores - 60 a mais que em 200 compareceram.
A ausência de um claro favorito nas pesquisas e a preocupação com o futuro econômico do país atraíram até mesmo quem não costumava votar com os republicanos. Foi o caso do comerciante Tom Hunter, de 47 anos. Em 2008, ele se considerava democrata e votou em Barack Obama. A decepção com o governo levou-o a apostar nos republicanos desta vez.
— Romney é o melhor porque tem mais chances de vencer Obama. E os demais são muito à direita — resumiu.
Iowa é considerado politicamente um estado "púrpura", partilhado entre democratas (azul) e republicanos (vermelho), com uma importante economia agrícola, uma crescente indústria manufatureira e um índice de desemprego de 5,7%, abaixo da média nacional (que está em 8,6%). O índice de população branca é de 91,3%, contra 72,4% para o total do país.
Analistas políticos apontam que o caucus republicano historicamente tende a eleger um candidato mais ao centro. Foi o caso das vitórias de Mike Huckabee (2008), de George W. Bush (2000), de George H. W. Bush (1980) e Gerald Ford (1976, contra Ronald Reagan), que venceram em Iowa pré-candidatos mais conservadores.
Passada a votação em Iowa, os olhos agora se voltam para New Hampshire, que realiza primárias na próxima terça-feira. Mitt Romney tem ampla vantagem e, segundo as projeções, deve vencer sem dificuldades. Além de New Hampshire, janeiro terá mais meia dúzia de debates e eleições primárias em outros dois Estados - Carolina do Sul no dia 21, e Flórida no dia 31.
Dilema eleitoral
Ao mesmo tempo em que marcam a largada na disputa republicana, um processo longo que só termina com a convenção nacional, em agosto, as prévias de Iowa deixam transparecer um partido dividido entre atrair voto conservador e independente.
Acomodado no meio da audiência no Temple of Performing Arts, à espera da chegada de Romney, em uma das últimas aparições do pré-candidato antes da abertura do caucus, David Van Ahn, de 69 anos, representava parte do comportamento do eleitorado do partido no processo.
— Hesito entre Romney, Rick Perry e Newt Gingrich. Se pudesse, fatiaria os três, para pegar o melhor de cada um e formar o candidato ideal. Mas deverei votar em Romney, também por ser o que possui mais chances de derrotar Obama — disse o republicano, fundador da associação Westside Conservative Club.
Impelido à direita pelo movimento radical Tea Party no rastro da derrota no pleito presidencial de 2008, o Partido Republicano vive hoje um dilema eleitoral: sedimentar seu discurso conservador e garantir o apreço dos eleitores da "América profunda" ou pender para o centro, com um candidato de coloração política mais moderada, capaz de conquistar os votos de independentes descontentes com o governo Obama.
Romney: para muitos, o melhor entre imperfeitos
Romney parece ser aos olhos de muitos republicanos o melhor entre os imperfeitos, embora sem conseguir impor com naturalidade suas virtudes. Junto com seus concorrentes — entre ataques recíprocos no último dia de campanha — empunhou algumas das principais bandeiras do partido, edulcoradas por versos patriotas e a exaltação de valores religiosos e morais.
— Esta campanha vai definir o futuro do país. Obama quer envenenar o espírito americano e transformar os EUA num Estado Providência no estilo europeu. Quer tirar de uns para dar a outros e, assim, provocar desavenças. Eu prefiro um país com todos unidos sob Deus e pretendo preservá-lo assim — afirmou ontem.
Em diferentes matizes, os postulantes da oposição a titular da Casa Branca defenderam ao longo dos debates uma redução de impostos para os contribuintes americanos; um Estado menor e menos influente na vida dos cidadãos; uma maior liberdade para o empreendedorismo e os negócios; um corte de gastos do governo e o reequilíbrio do orçamento federal. Também não faltaram críticas à "ganância comercial da China" e à incapacidade de Obama em lidar com a "arrogância do Irã e seu perigoso programa nuclear".
Estratégia de ser contra tudo beneficiaria Obama
Dianne Bystrom, analista política da Universidade de Iowa, vê Romney, Ron Paul e Rick Santorum como os nomes em evidência neste início da corrida republicana.— Acredito que esses três permanecerão na lista até a primária da Carolina do Sul (no dia 21). Michele Bachmann tentará se manter até lá, mas não tem muito dinheiro. E Rick Perry precisará decidir se continuará candidato ou se endossará outro pré-candidato.
O brasileiro Sérgio Loch, professor na Grand View University de Iowa, residente desde 1987 nos EUA, acredita que, independentemente do resultado do caucus no estado, o candidato dos republicanos contra Obama será Mitt Romney:
— Acho que ele obterá a nomeação nacional do partido.
Mas no embate final, apesar das dificuldades econômicas do país, o catarinense aposta na reeleição de Obama.
— Eu nunca vi a situação política tão ruim como está agora. O Partido Republicano bloqueia qualquer medida do governo, é contra tudo, e a população está vendo isso. Além do mais, o partido está muito dividido — opina Loch.
Ele não tem direito ao voto nos EUA, ao contrário de sua mulher, Barbara, americana, e de seus filhos, Erich e Monika, todos registrados no Partido Democrata. A mulher, no entanto, não pretendia participar ontem do caucus democrata.
— Minha esposa vota no caucus republicano só para criar confusão. Ela escolhe o pior candidato do partido — conta o brasileiro, rindo. Informações de O Globo.
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