Fazemos pelo amor que temos”, dizem atletas sobre falta de incentivo no esporte amador

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Por Elton Santos – No Distrito Federal, o futebol não tem dado a alegria que se espera de seus torcedores. Os times candangos amargam a 3ª e 4ª divisão do Campeonato Brasileiro. Mas é preciso a população se conscientizar, que o esporte na capital federal não se resume apenas ao mundo da bola. Brasília tem exemplos disso, e de ouro acima de tudo.
Planaltina do DF, por exemplo, pode ser considerado o “berço do karatê”. “Assino embaixo”, ratifica a carateca Carla Andressa, detentora de mais de 20 títulos na carreira. A saber: bicampeã sul-americana, hexacampeã brasileira e 15 vezes melhor lutadora em Brasília.
Com um histórico assim, deveriam ter empresas disputando vez para patrociná-la. Deveria. Acontece que o esporte amador no Brasil e em Brasília tem sido colocado para escanteio.
Em entrevista ao programa Diário Brasil, da TV Gênesis, Carla Andressa, juntamente com sua mãe Juci Magalhães, que é professora de caratê e o técnico da Seleção de Brasília, Caio Márcio, mostraram a realidade da modalidade no DF.
A luta para quem precisa manter uma academia de caratê vai além dos tatames. O técnico Caio é prova disso. Dinheiro é imprevisível. Nem sempre o esporte dispõe de recursos. “Treinamos. Quando chega o patrocínio estamos preparados”, conta o técnico, um pouco cético.
Mais do que uma simples modalidade de artes marciais, o caratê tem característica social e humanista. E é essa diferença que o trio de lutadores tem tentado expor ao poder público.“Para não perder (as crianças) para as drogas temos que tirar do próprio bolso”, confessa Magalhães.
Por não conseguir recursos suficientes de empresas ou governo, Carla precisa aliar seu tempo de atleta com a vida de modelo. “Eu preciso me sustentar”, diz. Em algumas competições, a carateca precisou fazer uma troca de serviços: para uma empresa patrocinar seus custos de campeonatos, ela emprestava sua beleza para estampar o marketing da firma.
Apesar de cainharem aos trancos e barrancos com a modalidade, o tri afirma que não desistirão do esporte. “Fazemos pelo amor que temos”, dizem em um só coro.
Os resultados desse esforço aparecem. No ano passado, em Guadalajara, no México, um atleta gerado na academia de dona Juci, o Wellington Rodrigues, trouxe de lá uma medalha de bronze – a primeira premiação, no primeiro Pan-Americano. Isso mostra que mesmo sem o incentivode fora do tatame, dentro, a luta não pode parar.
O Diário Brasil é apresentado pelo jornalista Celso de Marco, na TV Gênesis, canal 30 UHF e 26 da NET, às 13h, de segunda a sexta-feira.Produção 

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